domingo, 1 de agosto de 2010

e é...

E eu achando que pensava demais, descobri que meus pensamentos estavam demasiados desviados pro lado errado. Minha escada não tinha mais degraus e eu andava no plano, sem sair do lugar, como uma esteira. Mas é, não sei como fazer pra voltar a subir e é, queria dar tempo pro tempo pra ele passar menos sofrido. Porque é, a gente só sabe onde está e sabe, aqui não é o nosso lugar. E não, nós não sabemos aonde pertencemos, mas sabemos sim, que esse lugar tem ausência de nós.
E nós... Bom, que seria de mim sem a esperança de um dia num lugar melhor?
E é, vai ser melhor.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Todas as palavras que nunca disse não são demonstradas em gestos ou fotos. Elas não são demonstradas. Todas as palavras que eu nunca disse jamais serão escritas ou mudadas. Essas palavras são proibidas até pra mim, não porque eu quero ou porque deixei de ser, mas porque meu ser me limita e sim, eu preciso abrir minha mente.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fragmento de um conflito maior #4

Teu nome é um grito preso na minha garganta. Uma palavra que rasga o pensamento só de lembrar e dá um aperto desses que se perde o ar. Nossa história é a mais difícil que eu vou contar. E vou ter se não um trauma, uma repulsa desse nome pelo resto dos dias, e podem se passar anos, quando a balconista da farmácia tiver no crachá o mesmo nome que o seu, no fundo da memória irá passar mil acontecimentos em um segundo de receio ao dizer que não tenho moeda de trocado.

Nesses dias de frio parece que tudo fica mais sensível, e a gente vive numa metafísica que faz o corte doer mil vezes mais. Por dentro e por fora.



A vida é como uma rosa. Isso porque apesar de ter espinhos, nunca deixa de ser bela.
E é, que seja...

Fragmento de um conflito maior #3

Tem lugar que é mais bonito viver. Queria essa calma. Queria acordar e dormir, e sorrir pro céu e fazer meu próprio tempo, porque esse nunca está ao meu favor.

Meu próprio relógio.

Fragmento de um conflito maior #2

Os dias têm se tornado eternos, devagares, tediosos, e ao mesmo tempo sem tempo. Sem tempo pra mim. O tempo deveria ser meu e, se sobrasse algum, pra rotina. Tempo ao tempo o dia um dia muda. Mas cadê esse amanhã, que de atrasado me faz perder tempo e envelhecer?

E eu estava certa quando dizia que preciso sim, daquilo lá que você costumava chamar de amor.

Tudo Igual

Fila e água quente; porta batendo e cotovelo na quina; leite frio e TV sem canal; roupa suja e acordar cedo; falta de comida e porta trancada; chave perdida; celular sem bateria e ônibus; computador e cerveja; tênis velho e livro rasgado; moeda e pimenta demais; violão desafinado e a gente nem lembrava mais onde estava. Cigarro é lá fora e o cachorro quebrou alguma coisa. Tá tarde e eu não lembro como chegar lá. Cansaço e banho gelado; livro antigo e mosquito na banana. Dor de cabeça e jornal de ontem. E o dia ainda amanhece. E é, eu sou o que vocês são.

O que sou o eu agora se o que vai acontecer pra me mudar ainda não foi? Quem então eu sou agora?

Se o que eu sou depende do que foi pra mudar, o meu eu nunca vai ser constante porque nunca vai parar de acontecer. E mudanças nos mudam e então nos tornamos um novo eu. E esse eu antigo se vai e muda. Então eu sou uma constante transformação sem definição e que só pode ser, de certo, quando morrer. Porque aí não vai ter nada pra mudar. Mas o eu lembrado seria o de quando?

Como se perder fosse algo ruim como pular em degraus pra baixo, e não pegar um atalho na escada pra subir mais rápido.

Fragmento de um conflito maior #1

Então eu, eventualmente, calo o pranto e espero. Até um motivo maior que não seja possível impedir que se transborde, em massa volúvel, o desespero que, frio, envelhece e mata aos poucos. Então eu, sem enxergar, calo novamente e aguardo. Canso, mas não morro, envelheço e permaneço. Abro os olhos, assisto, nem sempre em silêncio, muitas vezes o que não quero. Mas não impeço. Não confio mais. A confiança é como um espelho. Tento não me enxergar, mas o eu é o único de que não me canso - e o único que realmente aparece nesse espelho. Tento, tanto desejo e nenhuma realização. Será que me vou ou fico e tento mudar? Capaz de não resolver o impossível de levantar. Mas deixa...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Esquecer-te-hei

O esforço pra esquecer é a vontade de guardar pra sempre numa garrafa e nunca mais abrir pra sentir tudo de novo o que já foi ou deixou de ser há tanto tempo. Mas esses reencontros sempre acontecem, cedo ou tarde, e nos voltam àqueles dias de água salgada, soluços e corpos cansados.